Veja os resumos dos trabalhos do simpósio ‘Por uma crítica do visível’

cartaz-versaofinal-painel-baixaO MidiAto divulga nesta quinta (13) os resumos dos trabalhos que serão apresentados do II Simpósio Linguagem e Práticas Midiáticas: Por uma crítica do visível. O evento ocorrerá nos dias 25 de novembro e 2 de dezembro em São Paulo, no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP, no auditório Freitas Nobre, das 14h às 18h30. A programação será divulgada em breve.

Leia abaixo os resumos:

Ruínas imagéticas do real na arte contemporânea:
uma perspectiva crítica a partir de obras da Bienal de artes
de São Paulo
Andrea Limberto Leite (andrealimberto@gmail.com)
Nara Lya Simões Caetano Cabral (naralyacabral@yahoo.com.br)
Em nosso trabalho, investigamos como experiências de arte contemporânea se refazem a partir da assunção de dados da realidade e do material midiático. A produção limítrofe entre os discursos das mídias e das artes nos possibilitará uma abertura crítica para entrarmos no domínio das tentativas de inovação sobre regimes do visível. Adotamos, como corpus, obras da 31ª. Bienal de artes de São Paulo, cuja curadoria norteia-se pela proposta de presentificar coisas que não existem. Nesse percurso, privilegiaremos imagens representadas sob a égide da dualidade interdição/libertação, entendendo que, ao lidar com representações construídas sob os efeitos de ocultamento e revelação, as obras oferecem uma reflexão sobre o próprio estatuto das imagens.
 
Imagens da pobreza como paisagem ideológica
Cíntia Liesenberg (acintialie@gmail.com)
Daniele Gross (danielegross@danielegross.com.br)
O artigo pauta-se, inicialmente, por imagens inseridas na composição de narrativas visuais, que se apresentam como pano de fundo ou paisagens, tomadas como elementos que reúnem configurações de objetos e que conferem enquadramento ideológico aos textos. Tem como interesse particular imagens da pobreza como um conjunto que permite direcionamento de sentido à narrativa, no intuito de observar possíveis aspectos que apontem para políticas de representação desse objeto, corolário no mundo contemporâneo de um sistema que o produz como realidade material, física, mas também fortemente imagética e simbólica.

 

A arena de Viomundo: tensionamentos críticos do acontecimento social e novas visibilidades
Cláudio Coração (crcorao@gmail.com)
Pretendemos verificar como a proposta de “um observatório de mídia” condiciona o site/portal/blog Viomundo, dirigido pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, na perspectiva de um ambiente de tensionamentos críticos da pauta/esfera pública, revelando, em essência, disputas pelo controle de narrativas do acontecimento, visibilidades portadas na ideia de “resistência informacional” e dinâmicas analíticas atribuídas à prática jornalística.

 

A fotografia entre o autobiográfico e o documental: autoria e referencialidade na crítica de imagem
Eliza Bachega Casadei (elizacasadei@yahoo.com.br)
Mariana Duccini Junqueira da Silva (marianaduccini@gmail.com)
Posto que a fotografia sempre é urdida nas fronteiras entre a referencialidade (fotografia como técnica) e a criação (disposição autoral, decorrente do gênero), o objetivo do presente trabalho é analisar o conceito de autoria na obra de fotógrafos que, em seus trabalhos, transitam entre a autobiografia e o documental. Para isso, é necessário uma crítica da imagem que se estruture para além da questão da imagem-fetiche e do punctum barthesiano e que reposicione o próprio conceito de referencialidade como decorrente do deslocamento de gêneros a partir da adoção de diferentes códigos de narração e técnicas de composição imagética específicas.

 

Violência e máscara nas imagens do Estado Islâmico
Felipe da Silva Polydoro (felipepolydoro@gmail.com)
Thiago Siqueira Venanzoni (thiago.venanzoni@gmail.com)
O artigo vai problematizar dois tipos de imagens produzidas pelo Estado Islâmico (ISIS): 1. Os vídeos de decapitação de ocidentais. 2. Narrativas audiovisuais baseadas em games e filmes de ação que circulam via web com o propósito de atrair adeptos para o grupo. A ideia é pensar a relação entre Real e semblante contrastando a violência extrema de imagens intoleráveis com estratégias discursivas próprias à cibercultura (desde a circulação de informações por meio de redes sociais até o recurso à estética dos games e do pastiche).

 

“Eu sou rolezeira”: um estudo crítico de imagens e imaginários de marcas jovens
Fernanda Elouise Budag (fernanda.budag@gmail.com)
Seane Melo (larvitarkenobi@gmail.com)
Nosso objeto de estudo corresponde a imagens e imaginários de marcas assumidas por jovens urbanas: narrativas marcárias concretizadas em imagens – materialidade de um discurso para o consumo – e os imaginários possíveis que se constroem delas. A partir de vídeo com depoimentos de “rolezeiras”, levantamos marcas com as quais estas se identificam e, sob uma perspectiva crítica, analisamos as imagens das marcas (sua materialidade e valores identitários) e os imaginários negociados pelas rolezeiras. Dado o cenário digital atual, estudamos imagens postas em circulação pelas marcas nas redes sociais (Facebook e Instagram), no período que abrange a data de publicação do vídeo.

 

A imagem do jornalismo nas interações críticas dos leitores
Gislene Silva (gislenedasilva@gmail.com)
Wania Célia Bittencourt (wania1603@yahoo.com.br)
Da mesma forma que jornalistas compartilham com a sociedade enquadramentos e compreensões de mundo em seu exercício de noticiar, a sociedade ao receber notícias também organiza seu entendimento sobre o mundo e, inclusive, sobre a própria prática jornalística. Em situações específicas de interações críticas dos receptores, o jornalismo é tensionado pela imagem social que se tem da imprensa e de seus profissionais, e isso reafirma ou coloca em crise fundamentos da divulgação de notícias. Esse tipo de tensionamento pode ser observado na “polêmica do livro didático”, acontecimento noticioso ocorrido na imprensa brasileira em maio de 2011, e que é o objeto empírico deste estudo de crítica de mídia.

 

Metacrítica midiática: reflexos e reflexões das imagens em “Black Mirror”
Ivan Paganotti (ipaganotti@usp.br)
Rosana de Lima Soares (rolima@usp.br)
Ao ser publicada, a crítica “da” mídia (a crítica sobre objetos midiáticos) também deve ser encarada como crítica “na” mídia (a crítica realizada pelo meio de comunicação), ou “metacrítica midiática”, muitas vezes desconstruindo processos comunicativos por meio de plataformas discursivas (textuais ou orais). O presente artigo pretende avaliar como imagens podem tecer, elas mesmas, em distanciamento ou tensão com o suporte textual, uma crítica tanto dos suportes, quanto dos produtos midiáticos. Para isso serão avaliados monólogos e sequências silenciosas no episódio “Fifteen Million Merits” da série inglesa “Black Mirror” (2011).

 

Olhar, experiência e mediação nas narrativas visuais de alteridade: por uma análise estrutural das imagens do Outro no espaço televisivo
José Augusto Mendes Lobato (gutomlobato@usp.br)
Este trabalho percorre referenciais teóricos sobre imagem, experiência e representação, a fim de compor uma metodologia de análise estrutural dos discursos sobre o Outro na mídia televisiva. Tomando as imagens de alteridade como espaços de mediação, mas também de rotinização e disciplinarização do olhar, examinamos três hipóteses – imagem-índice, imagem espetacular e imagem complexa – que permitem aferir modelos de análise para as narrativas visuais diaspóricas. Ao fim, o reality “O mundo segundo os brasileiros” (Band) é usado para mapear estratégias discursivas úteis à crítica desses conteúdos, tais como a ênfase testemunhal e a produção de fronteiras, embriões narrativos e jogos de oposição.

 

Crianças em “Sombra e água fresca”: a imagem do ideal contemporâneo de infância na Vogue Kids
Juliana Doretto (jdoretto@gmail.com)
Por meio de referências visuais, Ariés (2006) mostra que a infância é uma construção social: são os valores, as crenças, as normas sociais de um período e de uma sociedade que ditam o que define a infância, e não uma marca biológica. Dubinsky (2012), por sua vez, fala de um “ideal” que perpassa os conceitos de infância das sociedades ocidentais atuais: a criança é aquela que tem de ser protegida de dores – e, entendemos, também da sexualidade. A partir dessa reflexão, vamos analisar textos de crítica de mídia em torno do ensaio fotográfico divulgado em setembro de 2014 pela revista Vogue Kids, que mostra meninas em poses parecidas às de modelos já crescidas.

 

Gamificação na educação: quem está no controle?
Leandro Carabet (leandrocarabet@gmail.com)
Mariane Murakami (mhmurakami@gmail.com)
Tradicionalmente vistos como entretenimento que disputa com os professores a atenção dos alunos, os jogos vêm se tornando grandes aliados da aprendizagem, dentro e fora da sala de aula. A mudança no imaginário sobre essa mídia acaba por transformar o próprio cenário educacional, que aposta cada vez mais na visualidade e na interatividade, passando das apostilas para os tablets num piscar de olhos. Assim, o objetivo deste trabalho é refletir sobre as estratégias de gamificação dos processos educacionais e como elas transformam o imaginário sobre a tecnologia e sobre os videogames na sociedade, que transformam também o imaginário sobre a própria educação.

 

Imagens mentais e materiais: a obesidade e sua representação
Mayra Rodrigues Gomes (mayragomes@usp.br)
Este artigo trata das imagens enquanto disposições que implicam compartimentos para acolhê-las. Sem estes, ainda que se relacionem a materialidades concretas, as imagens podem até não serem vistas. A título de exploração de seu tema central, o artigo toma o estatuto da obesidade nos dias de hoje em comparação com seu entendimento em tempos passados. Para tanto percorre matérias jornalísticas, sites noticiosos em outros tanto espaços em que a obesidade é apresentada como enfermidade, ou problema de saúde pública que demanda estratégias de contenção.

 

Quem são os Superstars? Uma leitura das trajetórias de artistas no reality show da TV Globo
Natália Favrin Keri (nataliakeri@usp.br)
Sofia Franco Guilherme (sofia.guilherme@usp.br)
O artigo propõe uma investigação da construção da imagem do artista a partir do estudo das trajetórias de bandas participantes do reality show Superstar, veiculado pela TV Globo entre abril e julho de 2014. Com isto, pretende discutir de maneira crítica a dinâmica contemporânea da produção e consumo cultural, mais especificamente da música. O trabalho discute a relação entre o imaginário sobre o músico na atualidade e a construção das narrativas sobre as bandas iniciantes, seja pela indústria cultural, seja pelos próprios artistas. Na dinâmica do reality show, em analogia com o mercado de música, cabe ainda indagar sobre o papel dos artistas já estabelecidos na legitimação dos artistas menos conhecidos.
 
O movimento-cristal de navios em tempestade: a poética da pintura romântica de J. M. W. Turner
Rafael Duarte Oliveira Venancio (rdovenancio@gmail.com)
O presente artigo deseja observar como as pinturas românticas de J. M. W. Turner, notadamente as de temática náutica, conseguem engendrar, em sua, um tipo de imagem estática que faça menção ao movimento de forma quase cinematográfica, chamada aqui de movimento-cristal, tal como um prefácio da invenção das artes mecânicas. Utilizando-se o arcabouço teórico de Gilles Deleuze e do Groupe μ, o objetivo aqui é verificar como essas mise en scénes postas pelas pinturas são construções portemanteau que unem em uma representação imagética tanto a imagem-movimento como a imagem-tempo e, o mais importante, que esse portemanteau é a representação gráfica do movimento-cristal e crucial para o pensamento de uma poética das artes imagéticas focadas no movimento, bem como colocar Turner enquanto um prefácio romântico ao Impressionismo.

 

A imagem arquetípica do vigilante: a salvação pela ciência, tecnologia e ética na trilogia cinematográfica “O Cavaleiro das Trevas”
Sílvio Anaz (sanaz@uol.com.br)
As transmidiáticas narrativas sobre Batman constroem um imaginário em que se destaca a imagem arquetípica do vigilante, provavelmente o elemento simbólico central no estabelecimento da identificação da audiência com a visão de mundo do protagonista. Apoiado na abordagem antropológica do imaginário de Gilbert Durand e Michel Maffesoli, este ensaio desenvolve uma reflexão sobre os principais elementos simbólicos que compõem a trilogia cinematográfica “O Cavaleiro das Trevas”,
no sentido de identificar os arquétipos e mitos que podem estar funcionando como vetores de um processo de
sedução da audiência.
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