‘Por uma crítica do visível’: Cláudio Coração analisa o site Viomundo

cartaz-versaofinal-painel-baixaCláudio Coração, professor da Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) e investigador do MidiAto é o autor de “A arena de Viomundo: tensionamentos críticos do acontecimento social e novas visibilidades”, trabalho que será apresentado nesta terça (25) no II Simpósio Linguagem e Práticas Midiáticas: Por uma crítica do visível. O artigo será relatado em seguida por Silvio Anaz, pós-doutorando em meios e processos audiovisuais na ECA/USP.

O evento acontece no Auditório Freitas Nobre, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Não é necessária a inscrição prévia.

Leia abaixo o resumo expandido da pesquisa:

O site Viomundo, dirigido pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, parece nos advertir que o convencimento é um “bem simbólico”, a partir de sua instância reveladora de tensões. Isto é, os inconvenientes da pauta pública, principalmente do universo político, são elucidados por meio de uma representação que pressupõe a resistência a certo modelo de jornalismo (convencional, tradicional, hegemônico?!). Se aceitarmos essa premissa como plausível, ela deve ser pensada, contudo, como um dispositivo de convocação ao debate, em uma espécie de “suporte digital de participação”, com todos os louros e todas as “precariedades” comunicacionais aí embutidos. Nesse sentido, a visibilidade de Viomundo (com o perdão da redundância implícita) é engendrada por características e necessidades de vigília: a chancela do jornalista renomado, a práxis da reportagem, a crítica de mídia como instrumento de aprofundamento democrático etc. Trata-se de uma “reprodução desorientada das coisas do mundo”. No caso mais específico, os descaminhos da política partidária e institucional. A noção de esfera pública se vincula a outro componente crucial, cuja configuração discursiva de arena temática, sobretudo a função do jornalista, é seu caráter de “mediador universal” das visibilidades e invisibilidades do universo político.

Pretende-se, aqui, identificar como esses tensionamentos (de abordagem crítica), entre mídia tradicional x mídia progressista, presentes em Viomundo, norteiam os acontecimentos e sustentam disputas pelo controle das narrativas contemporâneas. Não deixa de ser um pressuposto em que balizas do espaço crítico se confundem com a noção diluída da arena pública democrática, em certa medida.
A problematização em torno do acontecimento social, em Viomundo, pode ser vislumbrada ao nos apropriarmos da ideia mais acabada de observatório. Assim, a visibilidade do site se constrói com o princípio de participação política, revestida de opinião múltipla. Além disso, a noção do acontecimento é elaborada com outra acepção, não menos desconcertante: como acidente de percurso das inconstâncias e das narrativas do real, na “fala selvagem de espontaneidade” (BARTHES, 2004).

O curioso nessa incorporação é que a lógica do real se arruma a um fundamento de crítica. Eis o jogo da poética da função jornalística, colocada a serviço da visibilidade pública e alçada à vigília do acontecimento. Lembremos que o princípio da alteridade/mediação de Viomundo pressupõe o engajamento jornalístico como código de conduta, mas também faz o diagnóstico inconteste do cotidiano político. Tal complemento não deixa de ser um paradoxo. Nesse sentido, o semblante de um “jornalismo partidário”, na contrainformação do “golpismo midiático”, implica uma transformação jornalística. Nesse filão, a figura de Luiz Carlos Azenha é síntese de apropriações as mais variadas sobre a ideia constitutiva da verdade, credibilidade e representatividade.

Desse modo, a necessidade/proposição crítica nos leva a dois instrumentos: a) a intriga factual e b) o dispositivo de chamamento/entrelaçamento mediático. Viomundo estabelece uma visibilidade inconveniente, no fim das contas, por se permitir impertinente na construção de sentido jornalística, ao se mostrar desarticulador das relações míticas e referenciais da notícia moldada pela mídia convencional. Esse emaranhado interpretativo migra o mero observatório ao ambiente-arena, e ratifica uma teorização sobre o acontecimento, por meio da intriga de embate ideológico, essencialmente. Não deixa de ser curiosa a hipótese de um entendimento da pauta global ante a luz que cega, a informação pautada como verdade. Viomundo nos convoca, portanto, às seguintes batalhas: a) o discernimento crítico dos acontecimentos diversos; b) a arena ininterrupta pela chancela jornalística e política. Podem-se vislumbrar, com isso, simulacros e hiper-realidades que se mostram amparadas por potências de mediação e fastidiosas visibilidades. Esses desconcertos são os mais emergenciais, talvez, no casamento de três acepções: acontecimento- intriga – crítica. Assim, Viomundo porta sua visibilidade diluída, paradoxalmente, na opinião forte, uma outra opinião pública, cuja chancela se desenvolve como dialética e observação das inconstâncias da vida pública, dos desarranjos do problema nacional e do jogo estético e sensitivo da política, com mais intensidade. Apreender e verificar a manifestação desses tensionamentos é uma instigante tarefa.

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