‘Por uma crítica do visível’: Gislene Silva e Wania Bittencourt falam sobre interações dos leitores no jornalismo

cartaz-versaofinal-painel-baixaA professora do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina Gislene Silva e a mestre, pela mesmo programa, Wania Célia Bittencourt são convidadas do MidiAto para dar início à apresentação dos trabalhos no II Simpósio Linguagem e Práticas Midiáticas: Por uma crítica do visível.  Elas apresentarão o trabalho “A imagem do jornalismo nas interações críticas dos leitores”, às 15h. Em seguida, Cláudio Coração, pesquisador do MidiAto, fará o relato do texto.

O evento acontece no Auditório Freitas Nobre, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Não é necessária a inscrição prévia.

Leia abaixo o resumo expandido da pesquisa:

Ao mesmo tempo em que a experiência de recepção e circulação de materiais noticiosos nos ajuda a pensar o consumo de notícias e sua relação com o entendimento da vida cotidiana, ela também nos permite pensar as imagens sociais que se tem do próprio jornalismo. A construção deste entendimento coletivo em uma sociedade midiática, segundo Braga, ocorre por interações críticas sucessivas.

A sociedade, suas instituições e pessoas não apenas se comunicam, mas pensam sobre isso e organizam largas partes de seu comportamento e seus processos sociais conforme o entendimento que têm a respeito (BRAGA, 2012, p. 27).

Interessa-nos discutir a crítica de mídia em diferentes instâncias, mas nesse momento nos atemos à uma instância particular, aquela em que receptores, em interações críticas específicas, revelam imagens sociais que têm da imprensa e dos jornalistas, reafirmando ou questionando fundamentos da divulgação de notícias.

Para discussão neste II Simpósio Linguagem e Práticas Midiáticas: por uma Crítica do Visível, trouxemos uma problemática desta terceira instância, vinculada ao acontecimento “polêmica do livro didático”, ocorrido na imprensa brasileira em maio de 2011 e que se refere a notícias publicadas em diferentes veículos que denunciaram o uso de um livro de língua portuguesa por supostamente “ensinar errado” o português nas escolas públicas brasileiras. Tomamos como material empírico o dossiê Por uma vida melhor: intelectuais, pesquisadores e educadores falam sobre o livro organizado pela ONG Ação Educativa, que questionou a qualidade das notícias publicadas sobre o assunto.

O objetivo da publicação online do dossiê era reunir “manifestações favoráveis à publicação e aos autores e responsáveis pela publicação”, produzidas por associações educacionais, linguistas, pesquisadores, educadores, jornalistas, intelectuais e outros membros da sociedade civil, especialmente após o grande debate sobre o assunto que circulou na grande imprensa. Importa saber que a ONG não convocou estes autores para escrever especificamente sobre o assunto para a publicação. Ela coletou na imprensa, nas redes sociais e em sites alternativos as opiniões favoráveis ao livro, reunindo em material disponibilizado para download tanto no site da ONG quanto em sites de universidades e do Ministério da Educação (MEC). É nesse dossiê que fomos localizar imagens sociais sobre o jornalismo.

Foram capturados do dossiê 48 fragmentos de interações críticas explícitas sobre o jornalismo. Nesse corpus, identificamos seis noções-chave que motivaram a crítica feita pelo dossiê a este episódio da imprensa: (1) Opinião x informação; (2) Ausência de fontes; (3) Desinformação; (4) Ausência de contexto; (5) Interpretação da realidade; (6) Omissão de informações. Todas elas ajudam a compor um mapa cultural sobre o que é a prática jornalismo para a sociedade. Em geral, tais críticas discutem o descumprimento de fundamentos básicos do jornalismo, como omitir informação, não ouvir outras fontes, não dar informação correta, não contextualizar, não interpretar bem o acontecimento, entre outros. A partir delas, é possível dizer que a sociedade considera que o jornalista deve se ater aos fatos; deve ouvir os vários lados da mesma história; deve observar a informação correta; não deve ser superficial; deve esclarecer a realidade; e não deve omitir informações do público.

Essas imagens compõem o imaginário da profissão, em consonância com a própria visão que os profissionais da área e estudantes têm do jornalismo ou do dever-ser do jornalismo. Ou seja, tais impressões e expectativas fazem parte não apenas do universo dos profissionais da área, mas configuram certo imaginário coletivo sobre o jornalismo, um imaginário social compartilhado entre todos, fontes, jornalistas e receptores.

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