‘Por uma crítica do visível’: Silvio Anaz fala da triologia O Cavaleiro das Trevas

cartaz-versaofinal-painel-baixa“A imagem arquetípica do vigilante: a salvação pela ciência, tecnologia e ética na trilogia cinematográfica ‘O Cavaleiro das Trevas’” é o título do artigo de Silvio Anaz, pós-doutorando em meios e processos audiovisuais na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e investigador do MidiAto, que será apresentado no no II Simpósio Linguagem e Práticas Midiáticas: Por uma crítica do visível. Andrea Limberto e Nara Cabral, também do MidiAto, farão o relato do trabalho.

O evento acontece no Auditório Freitas Nobre, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Não é necessária a inscrição prévia.

Leia abaixo o resumo expandido da pesquisa:

Batman é, dentre os grandes super-heróis midiáticos, provavelmente o mais humano deles. Seus poderes são fruto de suas próprias virtudes, como suas capacidades físicas e intelectuais, o uso que faz da ciência e da tecnologia e o poder econômico que detém e financia suas ações.

Desde sua criação, nos anos 1930, até a conclusão da trilogia cinematográfica O cavaleiro das trevas, em 2012, as narrativas sobre Batman – em gibis, graphic novels, seriados televisivos, filmes para o cinema e videogames – o fizeram um dos super-heróis mais bem-sucedidos mundialmente, em termos de popularidade e de resultados comerciais. Consequentemente, essas narrativas constituíram um imaginário poderoso, arcabouço de imagens, símbolos, mitos e arquétipos que extrapolam as próprias narrativas do super-herói e se fazem presentes em vários momentos da vida contemporânea, criando intertextualidades que ultrapassam os significados imediatos desses elementos simbólicos. Assim, a consagrada imagem do símbolo do homem-morcego impressa na camiseta de um fã remete não apenas ao super-herói, mas também aquilo que ele representa no imaginário coletivo.

E quais são os principais elementos simbólicos que estão presentes nesse imaginário coletivo construído pelas narrativas de Batman? Esta investigação desenvolve um mapeamento deles a partir da trilogia cinematográfica O cavaleiro das trevas, que apresenta o super-herói a partir de três momentos chave de sua trajetória: a origem, o auge e o renascimento. Apesar de ser uma das inúmeras variações na mitologia do homem-morcego, nela encontram-se os elementos canônicos da mitologia batmaniana. E, dado o seu sucesso mundial, a trilogia constitui-se em uma fonte representativa do imaginário compartilhado globalmente sobre o super-herói.

Para entender o papel que o imaginário tem no sucesso de um produto cultural – sendo o imaginário um dos vários fatores que contribuem para isso na lógica de produção, distribuição e consumo da indústria criativa –, é preciso entender de que forma ele opera nos processos de identificação fluida da audiência com as visões de mundo expressas nesses produtos.

O universo dos super-heróis surge e se desenvolve através das histórias em quadrinhos como a atualização do arquétipo do herói, principalmente na sociedade norte-americana sob os efeitos da Grande Depressão econômica das décadas de 1920 e 1930 e da Segunda Guerra Mundial. Ele tem sido fonte de imaginários que permeiam gerações em diferentes culturas, do Ocidente ao Oriente e do Hemisfério Norte ao Sul, e em diferentes linguagens, dos quadrinhos ao videogame. Nas primeiras décadas do século XXI, esses imaginários têm sido atualizados e ganhado força comunicacional à medida que os super-heróis tornam-se uma das principais fontes de sucesso da indústria cinematográfica.

Como esses imaginários, em larga escala fantasiosos, dos super-heróis são capazes de seduzir a audiência? Um caminho para entender isso passa pela concepção de imaginário de Gilbert Durand. Para ele, o imaginário é um trajeto antropológico que une o biológico ao social. É nesse percurso de mão dupla que, segundo Durand, há “a incessante troca que existe ao nível do imaginário entre as pulsões subjetivas e assimiladoras e as intimações objetivas que emanam do meio cósmico e social” (DURAND, 2002, p. 41). É nesse trajeto antropológico que se produzem os elementos simbólicos a partir das interações dos gestos pulsionais (biológicos) e dos meios materiais (mundos social e natural). Entre esses elementos, estão os arquétipos e os mitos.

Durand (2004) entende que os mitos fundadores, como o do herói, estão sempre circulando em todas as sociedades ao longo da história, havendo o predomínio de alguns na produção cultural em determinados momentos ou movimentos – como no caso do mito prometeico, que reina no Iluminismo e no auge do racionalismo científico. O arquétipo do herói tem sido preenchido e atualizado por diferentes mitos ao longo dos tempos, como Hércules, entre os antigos gregos, Momotaro, entre os japoneses do século 17, e o Super-Homem, globalmente a partir do século 20.

Nessa perspectiva, as narrativas de Batman são compostas por arquétipos e mitos com potenciais de estabelecer a identificação da audiência com o imaginário que delas emerge, pois, o sucesso popular de um produto cultural pode ser um índice da penetração ou do alcance de um imaginário específico no âmbito sociocultural. Esta investigação analisa um dos aspectos essenciais das narrativas de Batman: as várias faces do arquétipo do herói-vigilante.

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