Em Madri, Rosana Soares e Eduardo Vicente falam sobre radionovelas

Eduardo Vicente e Rosana Soares apresentam seu trabalho
Eduardo Vicente e Rosana Soares se apresentam 

“Rádio x televisão no Brasil: gênese e desenvolvimento das novelas brasileiras entre duas mídias” é o título do trabalho que Rosana Soares, professora da ECA/USP e uma das líderes do MidiAto, apresentou na Radio Research Conference, em Madrid. Feito em parceria com Eduardo Vicente, também professor da ECA, o artigo discute o desenvolvimento  das radionovelas no país e a sua transição, a partir dos anos 1960, para o meio televisivo.

A Radio Research Conference foi realizada na Universidad Carlos III, no fim de outubro, e foi promovida pela Ecrea (European Communication Research and Education Association).

Leia o resumo:

O desenvolvimento das telenovelas brasileiras – um gênero audiovisual com características próprias e que alcança considerável sucesso em diferentes países – deve muito de sua constituição às radionovelas, produzidas no país desde 1942 sob forte influência de produções cubanas e argentinas. Essa comunicação busca oferecer um olhar sobre o desenvolvimento  das radionovelas no país e a sua transição, a partir dos anos 1960, para o meio televisivo, que se deu tanto através da ida de atores e roteiristas para aquele meio quanto da adaptação de produções. Nesse percurso, a pretensão do texto é discutir as características que se mantiveram na transição das produções para o meio televisivo e, simultaneamente, discutir o percurso inverso quando, a partir dos anos 1980, a produção de radionovelas no país é atualizada, em grande parte, em função do referencial já estabelecido pelas telenovelas. Na discussão do tema, além da pesquisa histórica e da audição de produções, serão explorados os referenciais fornecidos por autores como Jesus Martin-Barbero, Mikhail Bakhtin e Renato Ortiz, entre outros.

Muitas das primeiras radionovelas brasileiras, veiculadas a partir de 1942, são resultado da adaptação de produções cubanas, feitas sob o patrocínio da empresa norte-americana Colgate-Palmolive (ORTIZ, 1991). A influência das produções argentinas é devida, em grande parte, ao dramaturgo brasileiro Oduvaldo Viana que, retornando daquele país em 1941, começa a produzir radionovelas para o rádio de São Paulo (VIANA, 1982). Esse gênero radiofônico terá seu auge entre as décadas de 1940 e 1950, especialmente a partir da produção de textos de autores brasileiros e não mais da adaptação de textos. O período será conhecido como a Golden-age do rádio brasileiro (ORTIWANO, 1985). A partir dos anos 1960, com a consolidação da televisão (inaugurada no país em 1950), quadros técnicos, artísticos e patrocinadores do rádio irão migrar para o novo meio. Assim, uma novela com Direito de Nascer, a versão brasileira da produção cubana de Felix Cagnet, El Derecho de Nascer, maior sucesso radiofônico do país, que permaneceu no ar por quase dois anos, ainda na década de 1950 (ORTIZ, 1991), terá sua adaptação para a televisão já em 1964 (UNILEVER, 2010).

Nos anos 1970, quando a televisão se consolida como o mais importante veículo de comunicação do país, poucos projetos de produção serão mantidos no rádio. Porém, como exceção a esse cenário, a empresa anglo-holandesa Lever Brothers produzirá, até o início dos anos 1990, uma vasta quantidade de radionovelas para emissoras do interior do país, inicialmente adaptando produções televisivas e, num segundo momento, criando produções numa linguagem e estética mais atualizadas, baseadas, segundo seus autores, nas temáticas e estilos interpretativos das produções televisivas (UNILEVER, 2010). Assim, se o rádio, num primeiro momento, estabelece-se como o grande referencial para a produção ficcional no país, transferindo muitos de seus quadros e até com a adaptação de obras para a televisão, num segundo momento teremos um processo oposto, inclusive com a adaptação de produções televisivas para o meio sonoro. Apresentar a história desse processo, algumas de suas características técnicas e estéticas, além de discutir os processos de apropriação e remediação envolvidos nesse percurso são alguns dos objetivos dessa comunicação.

 

 

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