José Augusto Lobato defende tese sobre alteridade no dia 23

O pesquisador do MidiAto José Augusto Lobato defende, no dia 23 de março, sua tese de doutorado. Com o título “A alteridade na ficção seriada e na grande reportagem: Um estudo sobre as estratégias de representação do outro na narrativa televisual brasileira”, o trabalho foi orientado pela professora Mayra Rodrigues Gomes, da ECA/USP, uma das líderes do MidiAto.

Participam da banca os professores Tania Marcia Cezar Hoff (ESPM-SP), Luís Mauro Sá Martino (Faculdade Cásper Líbero), Dulcilia Schroeder Buitoni (ECA/USP) e Rosana de Lima Soares (ECA/USP), também líder do MidiAto.

A defesa será às 13h, na sala Egon Schaden, na Escola de Comunicações e Artes.

Leia abaixo o resumo da tese:

Esta pesquisa tem como propósito identificar, compreender e analisar as estratégias que regem a representação da alteridade nas narrativas televisivas brasileiras, tomando, como objetos específicos de estudo, os gêneros jornalístico e de ficção seriada, nos formatos de grande reportagem e telenovela. Para fins práticos, o corpus definido inclui 16 edições do programa Globo Repórter e quatro telenovelas – “Além do Horizonte”, “Amor Eterno Amor”, “Joia Rara” e “Salve Jorge” – que abordam outros países ou biomas e comunidades do Brasil retratados como exóticos.

A abordagem a ser utilizada combina referenciais teóricos das ciências da linguagem, dos estudos culturais e dos campos específicos das teorias do jornalismo e da ficção, bem como de estudiosos da narrativa, da imagem e da linguagem televisual, incluindo autores como S. Moscovici, H. Bhabha, M. Farré, J. Català, T. Todorov, S. Hall, K. Woodward, M. Foucault, V. Flusser, F. Jost, A. Machado, M. Gomes, E. Bucci e M. Sodré.

Entre os conceitos teórico-metodológicos de base para a análise proposta estão os de representação social; de narrativa de alteridade – entendida como um oposto-complementar à ideia de narrativa da nação; de imagem evenemencial, que contextualiza a relação entre a produção de narrativas visuais e o desenho de experiências de mundo; e os de alteridade geográfica e sociocultural, que indicam um caminho para examinar as diferentes fronteiras entre o eu/nós e o outro nos processos comunicacionais.

Após apresentarmos reflexões teóricas sobre os campos da narrativa, das imagens e dos discursos jornalístico e de ficção, partiremos à análise do material audiovisual, com foco em três categorias que permitem identificar os principais recursos aplicados à representação do outro no texto televisivo. São eles: (a) as estratégias de autenticação e produção de efeitos de realidade fundadas na retórica testemunhal; (b) a construção de polos opositivos e a demarcação de fronteiras entre o próximo e o distante; e (c) as interações entre ficcionalização e factualização nas narrativas, movidas por um tipo de configuração que toma a alteridade em si como intriga ou conflito em diferentes níveis de intensidade.

Ao fim, identificamos oito estratégias que atuam como marcos estruturantes das narrativas de alteridade aplicadas ao jornalismo e à ficção seriada na TV, reiterando as funções de reconfiguração e disciplinarização da experiência operadas neste espaço de representação.

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