Laura Cánepa fala sobre o horror no cinema brasileiro no Cartografias da Crítica

Na próxima terça, dia 25, a professora Laura Cánepa, da Universidade Anhembi Morumbi, faz apresentação no ciclo Cartografias da Crítica, promovido pelo MidiAto desde 2015. A palestra “O gênero que não ousa dizer seu nome: considerações sobre o horror no cinema contemporâneo brasileiro” é baseada em capítulo publicado no e-book “Miradas sobre o cinema ibero latino-americano contemporâneo” . O evento ocorre às 14h, no Departamento de Cienma, Rádio e Televisão da ECA/USP.

O ciclo Cartografias da Crítica recupera os fundamentos teóricos sobre crítica, abordando suas diversas correntes teóricas, com o objetivo de debater sobre o atual desenho dos estudos de crítica de mídia e de audiovisual. Nesta segunda etapa do ciclo de estudos durante o ano de 2016, também são feitos estudos de textos importantes para o trabalho do grupo. As reuniões são abertas ao público.

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Mais do que exercer o julgamento sobre produções midiáticas e audiovisuais, o MidiAto procura desenvolver um posicionamento crítico em relação a elas. Isso significa observá-las do ponto em que se hibridizam, se refazem ou se curvam, oferecendo-se a uma interpretação que pode ser contrastiva a partir de outros meios, suportes e teorias.

O desafio aberto, assim, para este ciclo de encontros é o de fundamentar este lugar entre meios, suportes e teorias que as atuais produções nos favorecem enxergar a partir dos percursos teóricos já trilhados por estudos tradicionalmente considerados críticos. E o lugar teórico dos estudos de linguagem e das práticas midiáticas é privilegiado para que se desenvolva profusamente tal abertura.

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No dia 18, Cartografias da Crítica aborda consumo de cultura pelas TIC

Na terça, dia 18, ocorre mais um encontro do ciclo Cartografias da Crítica, promovido pelo MidiAto desde 2015. O evento recupera os fundamentos teóricos sobre crítica, abordando suas diversas correntes teóricas, com o objetivo de debater sobre o atual desenho dos estudos de crítica de mídia e de audiovisual. Nesta segunda etapa do ciclo de estudos durante o ano de 2016, também são feitos estudos de textos importantes para o trabalho do grupo. As reuniões são abertas ao público.

No encontro desta terça, Juliana Doretto, doutora pela Universidade Nova de Lisboa e pesquisadora do Cetic.br (Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), fala sobre o resultados iniciais do novo projeto do centro, a pesquisa TIC Cultura.

A investigação realizou 24 grupos focais em todo o pais, com pessoas de diferentes classes socioeconômicas e faixas etárias, sobre a relação entre as tecnologias da informação e da comunicação e o consumo cultural. As discussões incluem as reconfigurações da crítica de mídia por meio do compartilhamento de informações em redes sociais e blogues.
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Mais do que exercer o julgamento sobre produções midiáticas e audiovisuais, o MidiAto procura desenvolver um posicionamento crítico em relação a elas. Isso significa observá-las do ponto em que se hibridizam, se refazem ou se curvam, oferecendo-se a uma interpretação que pode ser contrastiva a partir de outros meios, suportes e teorias.

O desafio aberto, assim, para este ciclo de encontros é o de fundamentar este lugar entre meios, suportes e teorias que as atuais produções nos favorecem enxergar a partir dos percursos teóricos já trilhados por estudos tradicionalmente considerados críticos. E o lugar teórico dos estudos de linguagem e das práticas midiáticas é privilegiado para que se desenvolva profusamente tal abertura.

Com PUC-MG, MidiAto organiza seminário sobre crítica

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O grupo de pesquisa Mídia e Narrativa, da PUC Minas, realiza, em parceira com o MidiAto, o V Seminário Mídia e Narrativa, “Mediações Críticas: Representações na Cultura Midiática”. O evento ocorre no campus Coração Eucarístico da PUC Minas, em Belo Horizonte, entre os dias 27 e 29 de setembro (Sala Multimeios, prédio 13 – Comunicação Social).

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no blog www.midiaenarrativa.wordpress.com.

Veja a programação:

27/9 – TERÇA-FEIRA

Abertura: 18h30

Mesa 1: 19h

O lugar crítico das ficções

Um red team para o telejornalismo: a metacrítica do seriado Newsroom
Rosana de Lima Soares (USP)
Ivan Paganotti (USP)

O encontro com o Outro no cinema nacional: narrativas e problematizações sobre a alteridade na ficção
Cíntia Liesenberg (USP)
Eduardo Paschoal (USP)

Mr. Robot, a ilusão cibernética da figura do Outro
Glória Gomide (PUC Minas)
Bruna Lapa (PUC Minas)

28/9 – QUARTA-FEIRA

Mesa 2: 9h

A questão do Outro em narrativas jornalísticas

Crítica da mediação jornalística em programa televisivo sobre saúde
Amanda Souza de Miranda (UFSC)
Gislene Silva (UFSC)

O Outro que (nos) fala: uma crítica da mediação da periferia pela imprensa estrangeira na crise política de 2016
Felipe Polydoro (USP)
José Augusto Lobato (USP)

Autoficção de Eliane Brum: do biográfico à crítica e à reportagem
Marcio Serelle (PUC Minas)

Mesa 3: 11h

Cidades mediadas

Crítica de um retorno do real fantástico
Andrea Limberto (USP)
Fernanda Budag (USP)

Crítica das mediações na cobertura jornalística sobre ocupações do espaço urbano e natural em Florianópolis
Míriam Santini de Abreu (UFSC)

Uma outra mediação: Memórias da vila, de Guilherme Cunha e Joana Tavares
Júnia Campos (PUC Minas)

Mesa 4: 15h

Som, música e dança: mediações estéticas

Cinema, intermidialidade e valor de audição no melodrama
Samuel Paiva (UFSCar)

O desarranjo do pop em Vira lata na via láctea, de Tom Zé: entre a resistência e a reflexão
Cláudio Rodrigues Coração (UFOP)
Thiago Venanzoni (USP)

Dança e comunicação no confronto cultural
Juliana Gusman (PUC Minas)

Mesa 5: 17h

Gênero e alteridade

Do jornalismo às redes sociais: diálogo, mediação e crítica no caso #belarecatadaedolar
Nara Lya Cabral Scabin (USP)
Sofia Franco Guilherme (USP)

E precisa de revista para menina? A “girl” da Recreio
Juliana Doretto (USP)
Renata Carvalho da Costa (USP)

A natureza da alteridade: notas para a reflexão do Outro em narrativas midiáticas
Carlos Henrique Pinheiro (PUC Minas)
Rafael Angrisano (CEFET-MG)

29/9 – QUINTA-FEIRA

Mesa 6: 9h

Representações do popular, imaginários da violência

Representações e mediações no âmbito do telejornalismo popular
Vera Veiga França (UFMG)
Fabíola Souza (UFMG)

Entre o bandido e o “cidadão de bem”: alteridade, ética e mediação em Brasil Urgente
Júlia Lery (PUC Minas)

Os territórios ocupados, os estudos de narco e as vozes inauditas
Maurício de Bragança (UFF)

Mesa 7: 11h

“Mediações críticas” em debate

Ercio Sena (PUC Minas)
Teresinha Pires (PUC Minas)
Lígia Lana (PUC Rio)

Cartografias da Crítica continua nesta terça, 20

O ciclo Cartografias da Crítica, promovido pelo MidiAto, continua nesta terça, dia 20. O evento recupera os fundamentos teóricos sobre crítica, abordando suas diversas correntes teóricas, com o objetivo de debater sobre o atual desenho dos estudos de crítica de mídia e de audiovisual. As reuniões são abertas ao público.

Nesta segunda etapa do ciclo de estudos em 2016, serão feitos estudos de textos importantes para o trabalho do grupo. No encontro desta terça, Fernanda Budag, doutoranda na ECA/USP, e Andrea Limberto, doutora pela mesma instituição, falarão sobre os seguintes textos:

MANTONI, A; TRERÉ, E. “Media practices, mediation processes and mediatization in the study of social movements”. Communication Theory, 24 (3), 2014, p. 252-271.

COULDRY, N. “Mediatization or mediation?Alternative understandings of the emergent space of digital storytelling“. New Media&Society. Vol 10 (3). London: Sage, 2008, p. 373-391.

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Mais do que exercer o julgamento sobre produções midiáticas e audiovisuais, o MidiAto procura desenvolver um posicionamento crítico em relação a elas. Isso significa observá-las do ponto em que se hibridizam, se refazem ou se curvam, oferecendo-se a uma interpretação que pode ser contrastiva a partir de outros meios, suportes e teorias.

O desafio aberto, assim, para este ciclo de encontros é o de fundamentar este lugar entre meios, suportes e teorias que as atuais produções nos favorecem enxergar a partir dos percursos teóricos já trilhados por estudos tradicionalmente considerados críticos. E o lugar teórico dos estudos de linguagem e das práticas midiáticas é privilegiado para que se desenvolva profusamente tal abertura.

Cartografias da Crítica debate imagens e mediações no dia 13

Nesta terça, 13, das 14h às 17h, ocorre mais um encontro do ciclo Cartografias da Crítica, promovido pelo MidiAto. O evento recupera os fundamentos teóricos sobre crítica, abordando suas diversas correntes teóricas, com o objetivo de debater sobre o atual desenho dos estudos de crítica de mídia e de audiovisual. As reuniões são abertas ao público.

Nesta segunda etapa do ciclo de estudos em 2016, serão feitos estudos de textos importantes para o trabalho do grupo. Na próxima terça, Thiago Siqueira Venanzoni, mestrando na ECA-USP, Rosana de lima Soares, professora da ECA/USP e umas das líderes do Midiato, e Ivan Paganotti, doutor pela ECA/USP, debaterão os seguintes textos:

RANCIÈRE, J. “As imagens querem realmente viver?”. In: ALLOA, E. Pensar a imagem. Autêntica, 2015.

MITCHELL, W. J. T.  “O que as imagens realmente querem?”. In: ALLOA, E. Pensar a imagem. Autêntica, 2015.

SILVERSTONE, R. “Complicity and collusion in the mediation of everyday life”. New Literary History, 2002, 33. p. 761-780.

SERELLE, M. “A ética da mediação: aspectos da crítica da mídia em Roger Silverstone”. Matrizes, v.10, n. 2, maio/ago. 2016, p. 75-90.

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Mais do que exercer o julgamento sobre produções midiáticas e audiovisuais, o MidiAto procura desenvolver um posicionamento crítico em relação a elas. Isso significa observá-las do ponto em que se hibridizam, se refazem ou se curvam, oferecendo-se a uma interpretação que pode ser contrastiva a partir de outros meios, suportes e teorias.

O desafio aberto, assim, para este ciclo de encontros é o de fundamentar este lugar entre meios, suportes e teorias que as atuais produções nos favorecem enxergar a partir dos percursos teóricos já trilhados por estudos tradicionalmente considerados críticos. E o lugar teórico dos estudos de linguagem e das práticas midiáticas é privilegiado para que se desenvolva profusamente tal abertura.

Rosana Soares e Gislene da Silva assinam artigo na CMC

Capa da revistaRosana de Lima Soares, professora da ECA/USP e uma das líderes do MidiAto, e Gislene da Silva, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, são as autoras do texto “Lugares da crítica na cultura midiática”, publicado na última edição da revista Comunicação, Mídia e Consumo, publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM-SP. 

No artigo, as professoras dizem que “desde a constituição do lugar da crítica como campo teórico, a partir do surgimento de diversos circuitos culturais de produções artísticas, discute-se muito sobre quem deve e/ou pode fazer a crítica, juízos e valores, finalidades e, mais especialmente, sobre formação de público”. No trabalho, essas questões são trazidas para o campo de pesquisa da crítica de mídia, considerado ainda incipiente pelas pesquisadoras. Leia abaixo:

Na perspectiva maior do estudo de aportes teóricos, metodológicos e técnicos para uma crítica cultural da mídia, este artigo tem como objetivo discutir a percepção de critérios e valores próprios da crítica de mídia, a interação social entre crítico e públicos, e as teorias da crítica, sempre considerando na grande diversidade de objetos empíricos midiáticos o compartilhamento menos afastado entre produtores e receptores.

 

 

 

 

 

Rosana Soares participa de lançamento de Centro de Crítica de Mídia da PUC Minas

Uma das líderes do MidiAto, Rosana de Lima Soares, participou do lançamento do CCM (Centro de Crítica da Mídia) da PUC Minas, no último dia 25, em Belo Horizonte. A professora da ECA/USP ministrou palestra no evento, que ocorreu de forma conjunta à aula inaugural dos cursos de jornalismo e publicidade e propaganda. O tema da fala foi “A crítica da mídia nos estudos de comunicação”. A professsora Silvia Viana, da FGV, também se fez parte do debate, cuja mediação foi feita por Márcio Serelle, professor coordenador do centro.

O Centro de Crítica da Mídia tem como objeto promover “a reflexão acerca das tecnologias e instituições midiáticas, práticas e produtos circulantes nessa cultura, formas de mediação e interação das audiências e sobre outras instâncias críticas já existentes e atuantes”.

Veja, abaixo, vídeo sobre o lançamento, em que a professora Rosana Soares dá entrevista

Crítica de mídia: Nise da Silveira

Cíntia Liesenberg, professora da PUC-Campinas, doutoranda na ECA/USP e investigadora do MidiAto, inaugura uma nova seção no blog: “Crítica de mídia”, com reflexão feita a partir do filme  “Nise – o coração da loucura” (Roberto Berliner, 2016). A nova página reflete as pesquisas atuais do grupo, que tem se voltado ao atual desenho dos estudos de crítica de mídia e de audiovisual, no ciclo de estudos Cartografia da Crítica. Leia abaixo o texto de Liesenberg, que faz uma ponte entre o trabalho da psiquiatra e as condições asilares dos idosos no Brasil contemporâneo:

Nise da Silveira: loucura e velhice nas tramas do institucional

Dia das mães na minha família se tornou, há alguns anos, sinônimo de dia de filme. Seja em casa, sejano cinema, estamos quase a instaurar o evento como tradição. Neste ano escolhemos “Nise – o coração da loucura”, cujo enredo trata do trabalho realizado pela psiquiatra que se tornou notória pela introdução de terapias ocupacionais na abordagem de pacientes na área da saúde mental, em meados do século XX, contrapondo-se à violência dos tratamentos utilizados então.

Situados que somos em uma família em que a esquizofrenia é fato frequente, impossível não se abalar. O filme reacendeu algumas lembranças de nossas experiências e de como hoje, ainda que precariamente, outras condições vão sendo apresentadas. Porém, para além das malhas da loucura, percebemos termos sido tocados pela trajetória e universo retratados em escala estendida para outro patamar.

Acompanhando há quase cinco anos rotinas de idosos hospitalizados ou institucionalizados, pode-se dizer que são assustadoras as semelhanças e associações possíveis entre alguns aspectos do tratamento dispensado aos doentes da saúde mental apresentados no filme na época e aquele direcionado aos idosos de hoje que necessitam de tratamento asilar.

Desde a falta de preparo para o cuidado adequado, passando pela desumanização e homogeneização dos sujeitos, até as relações de poder, de mando e desmando entre gestores dessas instituições, seus funcionários, outros profissionais e familiares dos idosos.

Como outros já fizeram, a exemplo de Debert (2012), é nítida a associação com o que nos apresenta Goffman (1974) sobre as características de uma instituição total. No que diz respeito a rotinas a serem seguidas, por exemplo: horário do café, do banho, do lanche da manhã, do almoço, deitar após o almoço, levantar para o lanche, jantar, deitar. Tudo isso no espaço das horas que cabem nos plantões estabelecidos pela casa, pensado mais na administração do trabalho de seus funcionários do que nos interesses dos residentes, ou seus clientes, utilizando o termo adotado por Nise da Silveira.

De maneira geral, nas instituições cuja rotina acompanhamos, observa-se que, quando, em horário livre, os velhos são mantidos sem a atenção devida. Por vezes domesticados, parte deles amarrados ou contidos, como o linguajar técnico apregoa, são colocados sentados em frente à TV, ligada durante todo o dia, como se lhes pudesse gerar companhia, pressionados a usarem fraldas quando ainda detêm condições de serem levados ao banheiro, silenciados em grande parte de suas particularidades. Cuidados por profissionais em geral mal preparados e em número insuficiente, são alvo de abusos constantes: quedas e engasgos – por vezes fatais – ocorridos por negligência, furtos a pertences ou dinheiro, agressões verbais, motivo de chacota e desmerecimento em função da idade associada à decrepitude e nunca à possibilidade de desenvolvimento ou aprendizado e cuidado ampliado para adequação às novas condições fisiológicas que o tempo lhes impõe ao corpo e mente.

Não são espancados, como os loucos do filme. Na maior parte das vezes consegue-se que sejam mantidos limpos, sendo o asseio algo buscado em muitas das casas, ainda que sobre os dentes não se veja necessidade de tanto cuidado. Começa por aí o descaso, a briga pela escovação; depois, outros cuidados aparentemente mais simples: datas comemorativas não existem ou são feitas como adorno, transformando os idosos em algo que resvala no grotesco. Fantasias em que não se enquadram, infantilizados, abestalhados. A morte não existe, as pessoas desaparecem e, como coisas, são substituídas. Na entrada, não há história de vida que seja compartilhada, e o distanciamento com o que se foi até então parece endossar a ideia da morte como fato corriqueiro. As pessoas simplesmente somem, como objetos quebrados que, sem serventia, vão ao lixo e logo se compra outro para tampar o vazio deixado. Vazio não de significado, mas de verba para os fundos econômicos do local.

Familiares de outros residentes não são avisados; da mesma forma que não existe ritual de entrada, não há cerimônia de despedida. A morte vira fato banal. Mas a morte nunca é fato banal, e seu tratamento como tal lembra a violência simbólica com que são tratados os idosos desses estabelecimentos de forma geral. Há exceções, espera-se, mas exceções não são a regra que deveria prevalecer.

A seriedade da questão extrapola. Discursos estatais são belos, mas a vigilância e a fiscalização não chegam a contento, profissionais sem formação são contratados e passam a atuar sem treinamentos, ainda que esses sejam anunciados. A propaganda em sites, em geral, é enganosa, e só se conhece a rotina da casa quando se está lá dentro, o que contribui para ampliar a sensação de insegurança generalizada diante da percepção de falta de possibilidade de seleção e escolha. Os problemas são omitidos, descobertos apenas por quem consegue estar presente ao lado do familiar grande parte do tempo ou mantém um cuidador particular junto ao residente. A administração em geral é autoritária, os funcionários têm medo, são sobrecarregados e lidam com o cuidar desgastante de pessoas que precisam de apoio para a consecução de atividades da vida diária de forma intensa.

Há funcionários interessados, mas o acúmulo de trabalho é tanto que, não raro, se observam os sinais do cansaço estampados em suas faces e as consequências transbordam. O clima aparentemente é cordial, mas não é preciso um convívio muito longo para que se perceba a aura pesada que se instaura e as dinâmicas de grupo que hostilizam aqueles que de alguma forma fujam ao padrão ou coloquem em risco o acobertamento de erros e descasos cometidos.

Se a loucura assusta, seja por um lado de nós que não queremos ver, pelo descontrole dos sentimentos que impera sobre a razão, ou por um raciocínio outro que não conseguimos entender, seja por outro aspecto qualquer, o distanciamento simbólico parece se fazer permitido, pois nem todos de nós seremos realmente afetados por ela um dia. A situação permite a muitos dizer que loucos são os outros, não nós.

Já quanto à velhice, não se pode afirmar o mesmo. Se a longevidade vem aumentando, bem como a qualidade de vida de sujeitos em idade mais avançada também, essa mesma longevidade nos levará a ela e em determinado momento de nosso curso de vida poderá nos tornar fragilizados, talvez socialmente isolados e nos fazer deparar com doenças que até recentemente não se via em escala como agora, a exemplo das demências como o Alzheimer ou condições de dependência de outra ordem.

Por tudo isso, é que “Nise – o coração da loucura” se faz tão fundamental. Pois, para além do percurso de uma profissional na defesa de seus ideais e da visibilidade a formas indignas do tratamento da loucura que retrata, em terreno cujas conquistas são grandes, mesmo pedindo mais esforços diante das demandas existentes e, ainda que muito se tenha avançado em tratamentos e técnicas, o filme nos remete a um universo institucional homogeneizador, domesticador, violento e autoritário.

Pela visibilidade crua da realidade a que nos arremessa, nos permite olhar também para situações semelhantes que facilmente irão nos alcançar se não nos detivermos em tempo e esforços para enfrentá-las e colocar em discussão novos caminhos e soluções para os problemas que nos apresentam, como é o caso da longevidade e do envelhecimento da população atualmente em curso, como mencionado.

De uma população mundial composta por 12% de pessoas acima dos 60 anos, em 2013, seremos 21%, em 2050, segundo dados de pesquisa internacional (ILC Brasil, 2015). Caso não morramos antes, em decorrência das características da sociedade e estrutura familiar que temos construído, precisaremos, grande parte de nós, de instituições para nos abrigar.

Não encarar a situação agora e deixar de agir sobre ela hoje será ter que se sujeitar por completo a um tipo de vida para a qual não estamos dispostos a enfrentar. Deixar as questões da velhice na invisibilidade ou na corrente de discursos que a desconstroem, porque uma realidade incômoda, é fazer-se cego para o próprio futuro como indivíduo, sujeito e ser social.

O tema é contundente, perpassa todas as esferas dos discursos cotidianos e, sendo assim, pede investimento em pesquisa, discussões públicas na busca de soluções, vontade política e ações conjugadas e realmente interessadas na construção de um melhor convívio e uma melhor vida para todos no tecido social, pois o envelhecimento pede intervenções de cunho intergeracional e transdisciplinar para que sua abordagem ampla resulte em práticas efetivas.

Complexo? Trabalhoso? Sim. Mais fácil então não olhar agora para o cenário que se apresenta. Talvez, mas ao custo de uma grande possibilidade de seremos engolidos por ele logo mais.

Referências mencionadas:
DEBERT, G. G. A reinvenção da velhice. São Paulo: Edusp/ Fapesp 2012.
GOFFMAN, I. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 1974.
ILC- Brasil – Centro Internacional de Longevidade Brasil. Envelhecimento ativo: um marco político em resposta à revolução da longevidade. Rio de Janeiro, 2015.

Sobre Nise da Silveira:
Filme: Nise, o coração da loucura.
Direção: Roberto Berliner
Brasil: lançamento – abril/2016

HORTA, B.C. Nise: arqueóloga dos mares. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2008.