Programação completa

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Dia 27 de setembro (quinta-feira)

Manhã (Auditório Lupe Cotrim – Prédio Central)

10h: Abertura

Como fazer para criticar?

Profa. Dra. Gislene Silva (UFSC)

Profa. Dra. Rosana de Lima Soares (ECA-USP)

10h30-12h: Palestra

Prof. Dr. Ismail Xavier (ECA-USP) – O cine-clubismo, as cinematecas e as universidades na formação da crítica de cinema

Um comentário histórico conciso que envolve três momentos em que iniciativas de caráter institucional ampliaram o campo da cinefilia, cabendo definir as formas de interação que estabeleceram com a crítica de cinema, seja no plano da formação, seja no plano do diálogo entre a crítica profissional nos periódicos, a pesquisa histórica e o ensaísmo de origem acadêmica.

Debatedor: Prof. Dr. Eduardo Morettin (ECA-USP)

Mediadora: Profa. Dra. Rosana de Lima Soares (ECA-USP)

12h-14h: Almoço

Tarde (Auditório B – CTR)

14h-15h30: Mesa 1

Críticas circulantes: narrativa e sociedade

 Prof. Dr. Marcio Serelle (PUC Minas) – Reconhecimento como categoria da crítica cultural

Conceito-chave das lutas identitárias contemporâneas, reconhecimento tornou-se categoria forte para a crítica das narrativas em circulação na cultura midiática, como as de filmes, telenovelas, séries audiovisuais e videoclipes. A noção coloca em diálogo âmbitos críticos diversos, como aquele referente às conversações em mídias sociais e aqueles da crítica produzida pelo jornalismo cultural e pela academia, que formam complexos interativos desafiadores. Interessa-me, nesta comunicação, apreender como o reconhecimento orienta a perspectiva de críticas produzidas e circulantes nos meios jornalísticos e as implicações da adoção dessa categoria no que se refere aos valores para apreciação da obra, aos métodos de análise, ao lugar que passa ser conferido à ficção e as novas relações emergentes entre narrativa e sociedade.

Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes (ECA-USP) – A crítica e o ombudsman

Propomos, neste espaço, a travessia por entendimentos do que seria o exercício de uma crítica e, dentro desse panorama, o que poderíamos compreender como crítica de mídia. Uma das modalidades de crítica de mídia, que gostaríamos de examinar, realiza-se nas intervenções do ombudsman nos veículos que o abrigam. Supomos, de um ponto de vista de análise do discurso, que tal intervenção fala sobre os modos de ser da prática jornalística em relação ao campo como um todo e em relação à política editorial do veículo. Ao mesmo tempo, devemos supor que as manifestações de um ombudsman também falam, ainda que como pressuposto, subentendido ou alusão, sobre os discursos que circulam em uma cultura, embasando-a. Para captar posicionamentos, exercícios de crítica e discursos circulantes, exploraremos as colunas de Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S. Paulo, jornal pioneiro ao inaugurar a função em 1989. Nosso campo de exercício serão suas observações na semana anterior, concomitante e posterior à greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, fato/eixo escolhido em virtude de seu alcance temporal e territorial.

Mediadora: Profa. Dra. Maria Cristina Mungioli (ECA-USP)

15h30: Lançamento de livros e café

16h30-18h: Mesa 2

Políticas da crítica: arte e mídia

Prof. Dr. Eduardo Vicente (ECA-USP) – A crítica que constrói a música: o curioso caso da MPB

A crítica musical tem uma longa história no Brasil, em que a questão da identidade nacional – que encontra um espaço privilegiado na produção artística – tem lugar central no debate intelectual desde pelo menos o final do século XIX (Ortiz, 1985). A intenção da comunicação é buscar estabelecer o papel da crítica musical – que frequentemente extrapolou os limites do jornalismo, envolvendo intelectuais e artistas das mais diferentes áreas – no estabelecimento da MPB como uma “instituição” (Napolitano, 2010), colaborando não apenas para a sua legitimação enquanto espaço privilegiado para o debate político e social, como para a sua sofisticação estética, inclusive com a incorporação de elementos da música internacional sem que isso colocasse em questão seu caráter de “música brasileira”. Nesse percurso, a comunicação busca retomar a trajetória dessa crítica desde a década de 1930, apontando para algumas de suas características mais significativas.

Profa. Dra. Rose de Melo Rocha (ESPM) Críticas do audiovisível: incerteza e indeterminação como perspectivas de análise de produtos audiovisuais da cultura pop

Tomando por base empírica a cena audiovisual articulada por artistas da cultura pop ligados a performances de gênero, nos perguntamos sobre o lugar e as perspectivas de uma crítica do visível que considere, com Rancière, as partilhas do sensível e uma condição espectorial de engajamento. Considerando a pertinência contemporânea de uma crise da crítica, defende-se como lugar possível para sua elaboração a condição de incompletude e indeterminação que a caracterizam, em especial ao não mais pretender que dela devam emergir condições de Verdade, mas, sim, condições de possibilidade.

Prof. Dr. Maurício de Bragança (UFF) O circuito das drogas: mídia e arte na crítica contemporânea

A partir da publicação do livro Una linea de polvo, arte y drogas en Colombia, em 2008, o curador Santiago Rueda montou uma exposição que fez dialogarem o campo das artes plásticas e visuais e o fenômeno do narcotráfico. A exposição percorreu várias bienais, festivais, circuitos independentes de arte e espaços institucionais públicos e privados, apresentando as obras de diversos artistas latino-americanos. Segundo seu curador, a ideia é entender, através das obras, “as dimensões de um problema global”, fazendo expandir a ideia de “narcotráfico” para uma compreensão maior, indicando uma forte presença da cultura midiática que pensa seu próprio lugar no circuito instaurado pelas drogas em dimensão globalizada. “O problema narco” implode, nesta exposição, as distâncias entre mídia e arte, gerando um deslocamento no lugar da crítica de arte tradicional ao ter que lidar com questões que englobam um campo irrestrito de proposições que passam pela economia, medicina, direito e política internacional no âmbito da estética, ética e cultura.

Mediadora: Profa. Dra. Fernanda Budag (Fapcom/USJT)

18h-19h30: Painel

Jovens Pesquisadores

Apresentação de pesquisas em andamento de pós-graduandos do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais (USP), Programa de Pós-Graduação em Comunicação (USP) e Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (UFSC).

Amanda de Miranda (UFSC) -A crítica acadêmica e a crítica popular-social: reflexões sobre a memificação de um episódio do programa televiso Bem Estar

Toma-se como pressuposto a ideia de que a crítica do produto jornalístico feita pela audiência, baseada em seus repertórios sobre o que é e o que deve ser o jornalismo, indica questionamentos e tensões igualmente presentes na crítica acadêmica. O objetivo deste estudo é discutir semelhanças e diferenças entre ambas, observadas em um episódio do programa Bem Estar que se transformou em meme nas redes sociais. Por uma abordagem denominada etnografia da narrativa, são indicados três parâmetros que podem qualificar a crítica: discussão do gênero e do formato do produto analisado; compreensão dos seus modos de produção e identificação dos personagens das histórias jornalísticas.

Anderson Dias Silveira (UFSC) – Classe social como perspectiva para criticar a cobertura jornalística de homicídios

Este estudo faz uma crítica da cobertura noticiosa de homicídios orientada pelas discussões de Jessé Souza (2003, 2009, 2010) sobre as classes sociais no Brasil. Para tanto, identifica-se e descreve-se diferenças no tratamento noticioso de homicídios que evidenciam, pelas escolhas jornalísticas, atravessamentos oriundos da estrutura social do país. O período estudado compreende as mortes violentas intencionais ocorridas no primeiro semestre de 2017, em Florianópolis (SC), publicadas pelo Diário Catarinense, um dos principais jornais do estado de Santa Catarina.

Cíntia Liesenberg (USP) – Pelas lentes do envelhecimento: discursos, representações e subjetividades em visibilidade nas mídias

O trabalho busca problematizar representações sociais e discursos em circulação nas mídias pelo tema da velhice e do envelhecimento. Esses aspectos (discursos, representações sociais e sua expressão nas mídias) formam o cerne na identificação de palavras de ordem e coordenadas de vida que a temática evoca. Analisam-se perfis de idosos que circulam nas mídias, levantados a partir da página do Facebook de portal referência na área. Buscam-se processos de constituição dos sujeitos, seja na amarração a visadas dominantes, ou em sua subjetivação, no lançar-se a novos agenciamentos, tendo como norte uma noção da velhice e do envelhecer como espaço de múltiplas experiências e possibilidades.

Eduardo Paschoal (USP) – O político e o social na ancoragem das obras em seu contexto de circulação crítica

Esta pesquisa busca analisar como determinadas obras do cinema brasileiro, nos últimos anos, tematizam o político e o social em um plano narrativo e, a partir deles, produzem uma ancoragem em seu contexto de circulação crítica. Por meio das interpretações e produções de sentido que circundam os filmes – e que, por muitas vezes, reconfiguram a maneira como a narrativa fílmica é percebida –, procuramos compreender a influência do complexo crítico na constituição de um espaço público, em uma pluralidade de leituras.

Sofia Franco Guilherme (USP) – Construções críticas no jornalismo audiovisual especializado de Starte

O presente trabalho pretende investigar as possibilidades críticas na construção de reportagens do jornalismo cultural na televisão. Para tal, escolhemos realizar a análise da Série Corpos exibida pelo programa Starte, no canal GloboNews em abril de 2014. Procuramos compreender de que maneira os programas especializados produzidos por emissoras temáticas, por trabalharem com assuntos ligados as formas de expressão artísticas e atenderem a demanda de um público específico, têm a possibilidade de explorar formas de construção audiovisual sofisticadas, que se diferenciam em alguns aspectos do telejornalismo tradicional.

Mediadora: Profa. Dra. Andrea Limberto (Senac)

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Dia 28 de setembro (sexta-feira)

Manhã (Auditório B – CTR)

10h-12h: Debate

Crítica Cultural na Mídia

Joselia Aguiar (jornalista cultural e curadora da Flip) – Há notícia na literatura?

À frente da curadoria do programa principal da Festa Literária de Paraty em 2017 e 2018, pude acompanhar, estando do lado de dentro, a cobertura que rádios, jornais e TVs de todo o país fazem de autores e livros e as próprias noções que repórteres e editores têm de literatura, política, raça e gênero. Se há por vezes uma repetição improdutiva de clichês, há também tentativas de renovar a pauta, com resultado que amplia e aprofunda o noticiário de um evento literário desse porte num país de não leitores.

José Geraldo Couto (crítico de cinema, Instituto Moreira Salles) – Crítica de cinema: novos desafios

A crítica profissional de cinema defronta-se hoje com novos problemas, oriundos sobretudo do declínio econômico (e de influência) dos veículos impressos, em paralelo à extraordinária proliferação de vozes e canais de expressão propiciada pela internet. Essa situação coloca em xeque o papel do crítico como formador de opinião, curador de repertório e influenciador do gosto do público, recolocando, sobre novas bases, questões antigas como: para que serve a crítica? A quem ela se destina? Quem está habilitado ou legitimado a fazê-la? Como fazer frente às pressões do mercado de entretenimento e do gosto médio (ou senso comum) sem fazer da crítica uma pregação para convertidos ou m diálogo entre iniciados?

Mauricio Stycer (crítico de televisão, UOL/Folha de S. Paulo) – A tentação de enxergar o público como crítico de TV

Escrever sobre televisão no Brasil, um lugar onde o aparelho está presente em 97% dos lares, é enfrentar um assunto muito popular e dialogar com um público com enorme repertório a respeito. Reconhecer esta realidade é muito diferente de aceitar que o consumo quase compulsório de TV transforma alguém em especialista no assunto. Some-se a isso, o fato de a mídia ser muito popular e de acesso gratuito motiva um certo desdém na direção de quem se dedica a este ofício, não apenas em ambientes acadêmicos, mas mesmo dentro da indústria.

Mediadora: Profa. Dra. Gislene Silva (UFSC)

12h-14h: Almoço

Tarde (Auditório B – CTR)

14h-16h: Mesa 3

Deslocamentos críticos: convergências e hibridismos

Profa. Dra. Fernanda Mauricio (UFMG) Entre rupturas e convenções: o papel da crítica na configuração de gêneros televisivos

A presente proposta discute o papel da crítica de TV como configuradora histórica dos gêneros televisivos. Tomando como recorte a crítica ao telejornalismo, este trabalho demonstra que as práticas discursivas de definição, interpretação e avaliação (Mittell, 2004) expressam os tensionamentos nas convenções historicamente estabelecidas nas formas de produção e consumo do telejornalismo no Brasil.

Profa. Dra. Juliana Doretto (Fiam-Faam) A mídia manipula quem tem cabeça fechada: adolescentes periféricos e a crítica ao jornalismo

Em pesquisa-ação com jovens do ensino médio, moradores de bairros periféricos ou de baixa renda, investigamos como eles analisam o jornalismo brasileiro e de que forma se mantêm informados. O estudo revela distanciamento e desconfiança desse jovem em relação a fontes jornalísticas tradicionais e a emergência de novas rotinas noticiosas, influenciadas por plataformas digitais. Segundo os grupos focais realizados, o consumo do jornalismo de “referência” ocorre por influência de hábitos familiares. Por iniciativa própria, os jovens recorrem a posts em redes sociais, vídeos no YouTube e consultas a aplicativos, para acessar o que eles identificam como “notícias” importantes para o dia a dia.

Prof. Dr. Felipe Muanis (UFJF) Hipermediação e interatividade: por uma crítica do documentário como um espaço plurimidiático

O gênero documental é anterior ao cinema. Pode se dizer que surgiu no campo midiático em relatos jornalísticos e através de imagens em ilustrações editoriais. Com o advento da fotografia e da imagem em movimento, o documentário ganhou consistência e uma sintaxe própria, com suas diversas metodologias e complexidades ao longo do século XX. Atualmente o documentário passa por uma transição no espaço da internet e do digital, que oferece novas possibilidades e ferramentas não apenas para seu realizador, como para seu espectador. Nessa proposta, consideramos o documentário não apenas como um gênero prioritariamente cinematográfico, mas essencialmente plurimidiático. Desse modo, ao recortar as especificidades dos documentários audiovisuais, seria possível pensar na transição e complementaridade de um primeiro espaço do documentário audiovisual no cinema, para um segundo lugar do documentário na televisão. Ambos dialogam com a especificidade de suas mídias, com o que trouxeram de novo, com correspondências de subgêneros e suas eventuais remixagens.

Mediador: Prof. Dr. Sílvio Anaz (Fiam-Faam)

16h: Café

16h30-18h: Mesa 4

Exercícios de crítica: gêneros e discursos

Profa. Dra. Laura Cánepa (UAM) Por uma poética da fome: modos de pensar o cinema de bordas no Brasil

Buscaremos articular diferentes abordagens teóricas e metodológicas para a crítica dos filmes periféricos de bordas no Brasil. Esses filmes podem ser descritos como realizações audiovisuais amadoras de ficção, geralmente baseadas em formatos hegemônicos da indústria cultural, porém voltadas para o consumo interno de determinadas comunidades periféricas. A discussão se propõe a mobilizar os conceitos de cinema experimental, cinema amador, paracinema e cinema naïf – que, em nossa opinião, podem contribuir para a compreensão e para a análise de um conjunto relevante de produções culturais cuja singularidade pretendemos examinar.

Prof. Dr. Claudio Coração (UFOP) A crítica e o novo: o semblante melancólico em Alucinação de Belchior

O modo de encarar a nostalgia e o antagonismo projetado com os artistas envolvidos no tropicalismo parecem ser as premissas principais em torno do álbum “Alucinação” (1976), do cantor e compositor Belchior. A articulação temática e estética do disco imprime, além disso, uma espécie de reflexão crítica interna sobre os movimentos contraculturais na música popular brasileira dos anos 1970. Pretendemos, a partir disso, identificar aspectos de uma certa melancolia nessa produção, por meio dos aportes teóricos sobre a canção midiática e a crítica cultural.

Prof. Dr. Vander Casaqui (Umesp) O futebol e a construção narrativa da ‘Seleção Empresa’: crítica da presença midiática da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2018

A seleção brasileira de futebol masculino é construída midiaticamente a cada Copa do Mundo, em sintonia e contraste com o espírito do tempo. Sua imagem é articulada a discursos ufanistas, totalizantes e a significados de identidade nacional, sendo alçada ao status de alegoria da “alma” brasileira. Analisamos esse processo à luz da cultura empreendedora e das narrativas inspiracionais, em abordagem crítica, por meio do estudo dos discursos sobre a seleção de 2018. Destacamos a campanha publicitária do Banco Itaú, protagonizada pelo técnico Tite – cujas lições de liderança, de motivação, de gestão de subjetividades e competências, de governo, enfim, edificam a narrativa da “seleção empresa”.

Mediador: Prof. Dr. Ivan Paganotti (Fiam-Faam)

18h30: Encerramento

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Realização: Grupo de Pesquisa em Linguagem: Práticas Midiáticas (MidiAto/ECA-USP) e Grupo de Pesquisa Crítica de Mídia e Práticas Culturais (UFSC/USP)

Apoio: Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais (ECA-USP) e Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (ECA-USP)

Promoção: Metacrítica – Rede de Pesquisa em Cultura Midiática

Comitê Científico:

Eduardo Vicente (ECA-USP)
Gislene da Silva (UFSC)
Ivan Paganotti (Fiam-Faam)
Juliana Doretto (Fiam-Faam)
Mayra Rodrigues Gomes (ECA-USP)
Rosana de Lima Soares (ECA-USP)
Sílvio Anaz (Fiam-Faam)

Comissão Organizadora:

Aline Senzi (ECA-USP)
Andrea Limberto (Senac)
Caio Túlio Padula Lamas (ECA-USP)
Cíntia Liesenberg (PUC Campinas)
Daniele Gross Ramos (ECA-USP)
Eduardo Paschoal de Souza (ECA-USP)
Fernanda Elouise Budag (Paulus)
Nara Lya Cabral Scabin (UAM)
Renata Carvalho da Costa (ECA-USP)
Sofia Franco Guilherme (ECA-USP)
Thiago Siqueira Venanzoni (ECA-USP)

 

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